Por Giuliano Pelaio
É perceptível pela população, até mesmo pelos mais leigos no assunto, que há muito de errado com as cidades, especialmente no que diz respeito à sua urbanização, e, por isso, já é preciso aspirar a implantação de modelos mais eficientes. À medida que novas cidades consumidoras se expandem, cresce também a competição por recursos ecológicos.
Pensar na compactação e adensamento das cidades, na diminuição do ritmo de crescimento das aglomerações urbanas, na autossuficiência, na busca de um metabolismo circular para as cidades onde o consumo é reduzido pela implementação de eficiências e onde a reutilização de recursos é maximizada podem ser soluções simples e baratas para uma melhor qualidade de vida urbana social. Tudo isso estruturado de modo a oferecer oportunidades sem colocar em risco as futuras gerações.
É claro que isso requer regredir no tempo em busca de soluções advindas da correta interpretação dos fatores naturais do clima e do conhecimento e domínio causados pelos efeitos positivos e negativos do clima, a fim de desenvolver estratégias projetuais para uma harmoniosa relação com o edifício.
A primeira coisa que deveria ser feita é estimular que as pessoas desejassem viver de forma compacta, com o intuito de diminuir os gastos por superfície e, assim, fazer frente aos custos necessários para implementar infraestruturas e ações sustentáveis encaminhadas a diminuir o consumo energético, otimizar os recursos e diminuir as emissões e os resíduos.
Por isso, os arquitetos devem propor novas formas de tipologias de edifícios que aumentem a qualidade de vida dos núcleos multifamiliares e estimulem o desejo das pessoas de não viver em residências unifamiliares isoladas antiecológicas e distantes dos núcleos urbanos.
A Natureza, tal e como a vemos, é o resultado de um processo contínuo de “tentativa e erro” sem finalidade alguma, canalizada pela sobrevivência das espécies que se criam neste processo contínuo (cíclico e infinito).
Ela conseguiu criar suas próprias leis ecológicas de autocontrole e se alimentou de energia natural para a sua existência. Do mesmo modo, a atividade humana (linear, finita e racional), e os artefatos resultantes, deveriam estar regulados por novas leis ecológicas artificiais, e, assim, alimentados pela mesma energia natural. Natureza e Natureza Artificial deveriam estar continuamente em perfeito equilíbrio.
É muito importante que o bom projeto de um edifício garanta até 80% do seu nível de sustentabilidade. Este índice deve ocorrer em função de um desenho apurado do edifício através de uma correta orientação, forma, disposição dos vidros, disposição da massa térmica, sistemas de ventilação natural e sistemas de iluminação natural, que são as ações mais baratas e de maior eficácia para o meio ambiente.
Um bom projeto de um edifício não supõe um acréscimo no seu custo. Por outro lado a incorporação de tecnologias o encarecem consideravelmente.
Os arquitetos devem tomar a liderança da sustentabilidade, e apostar na formação de diversas disciplinas ecológicas e, claro, executar um bom projeto arquitetônico. Somente um bom projeto racional e honesto proporcionará uma verdadeira arquitetura sustentável, sem necessidade de artefatos, selos, nem manipulação midiática. As cidades futuras podem vir a ser o trampolim para se resgatar a harmonia da humanidade com o meio ambiente.
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Giuliano Pelaio é graduado em Arquitetura e Urbanismo em 2008 pela FAU PUC Campinas. É arquiteto sócio-titular do escritório 24.7 arquitetura, pós-graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Sistemas Tecnológicos e Sustentabilidade Aplicados ao Ambiente Construído. É Especialista em Arquitetura Sustentável pela Asociación Nacional para la Vivienda del Futuro - ANAVIF, onde concluiu o mestrado “Arquitectura Sostenible” em Valencia, Espanha.
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